…migalhas… Samedi, jan 3 2009 

As vezes a Estrada parece ser feita de migalhas, que são atiradas pelos que não conhecem os passos além de seus jardins.

O Passageiro só tem a Estrada
…só tem a Estrada!!!

Para os Bravos… …os braços! Samedi, oct 4 2008 

Envie cartas aos que conhecem a revolução!

Eles não conhecem a vida de ouvir dizer

Eles têm o mundo inteiro, e sabem o que fazer com ele!

 

Não procure armas, busque razões

Não invente frases, escreva sentimentos

Não perca energia com castelos de areia

 

Apenas envie cartas aos que conhecem a revolução!

Eles não conhecem o medo de ouvir dizer

Eles têm coragem, e sabem o que fazer com ela!

 

Saia pela manhã

Observe o sol de um novo dia

Entenda o canto dos que te chamam do amanhã

 

E envie cartas aos que conhecem a revolução

Eles não conhecem o silêncio de ouvir dizer

Eles têm o grito, e sabem o que fazer com ele!

 

Cultive os filhos do próximo canto

Beba o vinho dos seus aniversários

Mergulhe no vazio de sua alma serena

 

E envie cartas aos que conhecem a revolução

Eles não conhecem o tempo de ouvir dizer

 

Um dia – nessa ou em outra vida – suas cartas serão abertas

Suas razões e sentimentos serão o mundo

O seu sol e seus cantos serão coragem

Seus filhos e sual alma serão o grito vivo e presente!

 

O mundo então verá os que conhecem a revolução… …e sabemos que ele saberá o que fazer com eles!!!

 

Mas nunca deixe de enviar cartas aos que conhecem a revolução!

Não existiriam muitas coisas sem elas…

…nem revolução, nem mundo que valesse o tempo!

 

Aos Bravos, os braços… …num abraço que não leva nome, tempo ou piedade!

 

À Miguel de Paula Pimentel a quem eu devo

todas as cartas que escrevi e recebi nessa vida!

Le Passager Vendredi, sept 26 2008 

O destino do Passageiro é o exílio

Sempre foi… …(mas não é o seu destino compreender)

 

O exílio de todos os lugares

Não existe lugar para o Passageiro

Mas existem pessoas… …ah sim, existem muitas pessoas

…existem muitas pessoas… …que passam

E a maioria delas não sabe disso

Pelo menos não sabem à tempo de poderem tocar o que passa!

 

Mas o Passageiro, que não possui lugares

(e já não busca lugares)

Ele toca as pessoas.

Algumas por um instante, algumas por toda vida

E por todas elas é conduzido

O Passageiro jamais conduz

E tanto as pessoas quanto os lugares não sabem disso…

…é incrível: eles não sabem!

E sempre foi assim!

 

Todas as viagens são longas

E todos os caminhos diferentes, mesmo os caminhos de volta

…o Passageiro sabe que não existe volta!

Talvez seja isso que sua alma procura

E certamente isso é o que ela nunca vai encontrar!

 

A esperança do novo lugar é imensa e viva

Mas é na dor do exílio que ele se reconhece

…já faz tempo demais, e é de sua natureza

O exílio de todos os lugares

O exílio de todas as pessoas

E o tempo que concorda com tudo isso

(ele é o único que acompanha o Passageiro;

   sempre singelo, cruel e sempre, sempre sorridente)

 

O Passageiro fala muitos idiomas

Mas nenhum é compreendido pelos Homens

Por isso ele toca as pessoas

         por um pouco de alimento, pra matar a sede, pra se esconder do frio

Algumas por instantes, outras por toda vida

O tempo é o único que acompanha o Passageiro

E permite que o passado possa ser lido em seus olhos

Mas as pessoas não falam esse idioma

E não olham, não sabem, e não entendem seus olhos

…e a maioria delas não sabe disso

E sempre foi assim!

 

Mas o Passageiro sabe onde fica a porta de entrada

E sempre se emociona ao contemplar a paisagem…

…as paisagens do tempo passado

   que nunca são as mesmas

   porque não existe caminho de volta!

O Passageiro conhece o futuro

Porque o destino do Passageiro é o exílio

e sempre foi assim!!!

 

 

por Rogerio Lima (Montréal, 30 de julho de 2008)

Primeiro Ato… Dimanche, sept 21 2008 

 

NÃO BUSQUE SIGNIFICADO NO QUE EU ESCREVO

 

BUSQUE SIGNIFICADO NO QUE VOCÊ !

 

 

Um dia… …a Tempestade! Samedi, sept 13 2008 

Um dia um Mensageiro me escreveu… …nunca me esqueci… …e nunca me esqueço!!!     


« Nascemos pra viver no escuro

andar no fio da navalha e cortar os pés tentando se equilibrar.

É o que nos mantém vivos: a impossibilidade!

A culpa sem chance de redenção! »

 

« Um dia », é aquele lugar que vai nos levar pra longe do que sufoca…

…há quanto tempo você espera por isso?

 

Eu já nem me lembro mais do início do caminho,

Mas eu conheci pessoas amargas que deixaram de esperar,

pessoas amargas que se tornaram cegas,

pessoas cegas que se tornaram surdas,

pessoas surdas que se tornaram mudas,

pessoas mudas que se tornaram mortas!

 

Eu não me lembro do início do caminho... …mas eu não estou morto!

No meio da tempestade é preciso se erguer do que restou

e recomeçar a caminhar…

 

…eu não me lembro do início do caminho, mas sei que existe um caminho, e não estou morto

e também sei que caminhar depois da tempestade é fácil

Não é aí que reside o meu valor!!!

 

A tempestade não permite que eu veja, ou ouça nada…

…os sentidos não valem muito,

mas quando se sabe que não há um destino a ser alcançado,

os sentidos não são necessários!

 

O destino é caminhar, não é achar um caminho!

« É o que nos mantém vivos: a impossibilidade!!! »

 

Não posso afagar-lhe os cabelos, fazer

algo de prático ou lhe mostrar caminho algum,

mas saiba que no meio da tempestade, eu sempre estarei em pé.

Eu sempre estarei caminhando em meio a tempestade

…é pouco… …é tudo o que tenho…

…e tudo o que posso oferecer!

 

« Um dia », é uma foto que carrego no bolso esquerdo, de um lugar que não existe…

Há quanto tempo você procura esse lugar?

Conheci pessoas amargas que deixaram de procurar…

 

…como são desatentos: esqueceram de olhar no meu bolso…

…esquerdo!!!

 

(à Alessandra – sempre maior que a tempestade)
por Rogerio Lima (Montréal 13 de setembreo de 2008)

« I’m the passenger and i ride and ride… » Mardi, nov 20 2007 

« Cada um responde com a bagagem que tem! »

Existem frases, lugares, pessoas, situações que NUNCA esquecemos! Fazem parte da coleção de paisagens que colhemos durante nossa trajetória.

No entanto, o Passageiro não se lembra: ele vive!

E também não carrega bagagem: ele é!

Certa vez inventei a história de que um Lobo teria destruido pela fúria de sua natureza, uma Rosa. Como maldição, perdeu seus olhos, e foi condenado a vagar pela eternidade, trazendo consigo apenas sua lembranças e a essência da Rosa que havia destruido. Das pedras, do cheiro, da chuva e do sol desse caminho, nasceram os sentidos, as almas e as virtudes.

Ao supor que o Passageiro teria surgido dessa história, descobri que ele É essa história!

 

por Rogerio Lima (São Paulo, Outubro de 2007)